Equipe formada por estudantes, pesquisadores e representantes de cinco universidades brasileiras disputa futebol com robôs humanoides em Pequim
A tecnologia brasileira ganhou espaço em um dos principais eventos internacionais dedicados à robótica humanoide. Neste ano, a seleção brasileira participa do World Humanoid Robot Games, competição realizada em Pequim, na China, que reúne equipes de diferentes países em disputas envolvendo robôs capazes de executar movimentos e tomar decisões de forma autônoma.
Além disso, a delegação brasileira compete na modalidade de futebol entre robôs humanoides de tamanho adulto, utilizando o Booster T2, plataforma desenvolvida pela empresa chinesa Booster Robotics. De acordo com a programação do evento, a competição oficial acontece entre 22 e 26 de agosto, no National Speed Skating Oval, conhecido como Ice Ribbon, arena construída para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022.
Brasil participa com seleção formada por universidades
Diferentemente de equipes compostas por uma única instituição, a delegação brasileira reúne participantes de diferentes centros acadêmicos e de pesquisa. Dessa maneira, a seleção representa uma iniciativa conjunta envolvendo universidades e pesquisadores de diferentes regiões do país.
A seleção conta com representantes do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Centro Universitário FEI.
| Integrante | Instituição/área |
|---|---|
| Lucas Reis | CEIA-UFG |
| Isabela Moura | UFPE |
| Riel Joaquim | UFPE |
| Pedro Pizarro | USP |
| Caio Lucena | UNEB |
| Guilherme Escudeiro | Centro Universitário FEI |
| João Victor Aguiar | Pesquisa em robótica e IA |
| Flavio Tonidandel | Técnico da seleção |
Além dos estudantes e pesquisadores, a equipe é comandada por Flavio Tonidandel, vice-presidente da RoboCup Brasil e da RoboCup Federation. Nesse contexto, a participação também representa uma oportunidade de intercâmbio entre pesquisadores e estudantes brasileiros e grupos internacionais especializados em robótica e inteligência artificial.
Futebol exige inteligência artificial
O desafio da seleção brasileira vai muito além de programar um robô para caminhar e chutar uma bola. Na prática, os sistemas precisam lidar com diferentes informações simultaneamente e transformar essas informações em ações durante a partida.
Durante os jogos, os sistemas precisam interpretar o ambiente, identificar situações de jogo e definir quais ações devem ser executadas. Para isso, são utilizados recursos de inteligência artificial, visão computacional, planejamento e controle dos movimentos.
Além disso, os robôs precisam tomar decisões relacionadas às estratégias de ataque e defesa. Ao mesmo tempo, devem reagir às ações dos adversários e dos próprios companheiros de equipe.
Dessa forma, o campo de futebol se transforma em um laboratório para testar sistemas de IA capazes de atuar em ambientes dinâmicos e imprevisíveis.
Por outro lado, existe ainda o desafio de adaptar toda essa tecnologia ao hardware utilizado na competição. Segundo informações divulgadas sobre a preparação brasileira, os pesquisadores tiveram de adaptar seus sistemas ao robô que será utilizado no torneio, acrescentando uma dificuldade tecnológica ao processo de treinamento.
Booster T2 é a plataforma utilizada pelas equipes
Além dos desafios relacionados ao software, o próprio hardware utilizado na competição exige adaptação por parte das equipes.
Nesta edição, as equipes da categoria de futebol humanoide adulto utilizam o Booster T2, plataforma desenvolvida pela chinesa Booster Robotics e lançada oficialmente em julho de 2026.
Nesse sentido, a empresa apresenta o T2 como uma plataforma voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial incorporada, permitindo que pesquisadores e desenvolvedores trabalhem com robôs humanoides para diferentes aplicações.
Por sua vez, a escolha de uma plataforma comum cria uma condição interessante para a competição. Assim, as equipes podem concentrar parte importante de seus esforços no desenvolvimento dos algoritmos, estratégias e sistemas de autonomia.
Consequentemente, o desempenho durante as partidas depende não apenas das características físicas dos robôs, mas também da capacidade dos sistemas desenvolvidos pelos pesquisadores.
Brasil enfrentou Itália e Tailândia na preparação
Antes da competição oficial, a equipe brasileira realizou treinamentos em Pequim e participou de partidas preparatórias contra representantes de outros países. Com isso, os integrantes puderam testar seus sistemas em situações próximas às encontradas durante o torneio.
A preparação incluiu confrontos com equipes da Itália e da Tailândia, permitindo aos brasileiros testar seus sistemas e ajustar as estratégias antes da fase competitiva.
Posteriormente, a fase classificatória também teve impacto direto na formação das equipes que avançariam na competição. Segundo as informações divulgadas sobre a estreia brasileira, o Brasil terminou em segundo lugar em seu grupo, atrás da Itália, enquanto a Tailândia ficou em terceiro.
No entanto, a classificação não significou a eliminação imediata da equipe tailandesa. Para evitar essa situação, a organização determinou a formação de uma equipe conjunta entre Brasil e Tailândia.
| País/equipe | Situação na classificação |
|---|---|
| Itália | Avançou diretamente |
| Brasil | 2º lugar no grupo |
| Tailândia | 3º lugar |
| Brasil + Tailândia | Equipe conjunta para a sequência |
Dessa forma, brasileiros e tailandeses seguem na competição e enfrentam equipes chinesas na etapa oficial.
Uma competição que vai além do futebol
Embora o futebol seja um dos destaques, ele representa apenas uma das modalidades do World Humanoid Robot Games.
Em 2026, a competição ampliou consideravelmente o número de provas e passou a incluir também desafios relacionados a situações mais próximas de aplicações reais. Segundo informações divulgadas pelo governo de Pequim, o evento reúne modalidades esportivas e provas baseadas em cenários como fábricas, hotéis e residências.
Além das disputas esportivas, os desafios envolvem tarefas que exigem reconhecimento do ambiente, movimentação, manipulação de objetos e execução autônoma de atividades.
| Área | Exemplos de desafios |
|---|---|
| Esportes | Futebol, atletismo e dança |
| Indústria | Tarefas em ambientes de fábrica |
| Hotelaria | Atividades de atendimento e operação |
| Residências | Execução de tarefas domésticas |
| Emergência | Desafios relacionados a resgate e combate a incêndios |
Dessa maneira, a competição mostra uma tendência importante da robótica humanoide: utilizar torneios não apenas para demonstrar movimentos, mas também para testar a capacidade das máquinas de executar tarefas em situações próximas às encontradas no mundo real.
China amplia investimentos em robótica humanoide
Nesse contexto, a realização do evento em Pequim também ocorre em um momento de forte expansão da indústria chinesa de robôs humanoides.
A cidade tem tratado a robótica humanoide como uma área estratégica de desenvolvimento tecnológico, buscando aproximar fabricantes, centros de pesquisa e aplicações comerciais. Além disso, o próprio desenho da competição de 2026 inclui desafios voltados para ambientes reais, reforçando essa aproximação entre pesquisa e aplicação prática.
Para o Brasil, a participação representa uma oportunidade de colocar pesquisadores e estudantes em contato direto com equipes internacionais e plataformas utilizadas na fronteira do desenvolvimento de robótica e IA.
Ao mesmo tempo, a experiência permite acompanhar de perto diferentes estratégias utilizadas no desenvolvimento de sistemas autônomos.
O que está em jogo para o Brasil
Mais do que buscar resultados esportivos, a participação brasileira pode contribuir para o desenvolvimento de conhecimento em áreas como inteligência artificial, robótica, visão computacional, sistemas autônomos e controle de máquinas.
Além disso, a experiência adquirida durante treinamentos e partidas pode ser aproveitada posteriormente em projetos acadêmicos e de pesquisa no país.
Da mesma forma, a presença brasileira demonstra que universidades e centros de pesquisa nacionais conseguem desenvolver estratégias e sistemas para competir em uma área tecnológica altamente especializada.
Nesse cenário, a equipe chega à competição em um momento no qual os robôs humanoides estão deixando de ser apenas demonstrações tecnológicas para serem testados em tarefas cada vez mais complexas.
Uma nova fronteira para a inteligência artificial
O futebol de robôs humanoides combina duas áreas que avançam rapidamente: robótica e inteligência artificial. Por isso, cada partida representa um desafio tecnológico que vai muito além do resultado no placar.
Para marcar um gol, uma máquina precisa fazer muito mais do que movimentar as pernas. Primeiramente, ela precisa perceber o ambiente e localizar a bola. Em seguida, deve interpretar a posição dos adversários e dos próprios companheiros. Depois, precisa escolher uma estratégia e transformar essa decisão em movimentos físicos.
Assim, essa integração entre percepção, raciocínio e ação torna a competição relevante para o desenvolvimento da chamada inteligência artificial incorporada.
Por fim, a seleção brasileira, agora ao lado da equipe tailandesa, continuará sua trajetória no torneio em Pequim. Independentemente do resultado final, a experiência coloca estudantes e pesquisadores brasileiros diante de um dos ambientes mais avançados do mundo para experimentação com robôs humanoides e sistemas autônomos.
