Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra — e você mora em cima dela

Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra — e você mora em cima dela

Um projeto coordenado pela USP revelou uma nova extensão do Anomalo, a gigantesca falha no campo magnético terrestre. Além disso, a descoberta reforça: sensores brasileiros mapeiam a maior anomalia magnética da Terra — e você mora em cima dela. Reguladores internacionais debatem novas regras para inteligência…

Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra — e você mora em cima dela

O planeta abriga um núcleo externo de ferro líquido que gira e gera o campo magnético. Esse escudo invisível protege a vida do vento solar, uma chuva de partículas energéticas vindas do Sol. Mas o campo não é uniforme. Ele apresenta regiões onde as linhas de indução se curvam de forma anômala — e a mais famosa delas fica bem no nosso subsolo.

O que é a Anomalia Magnética da América do Sul

A Anomalia Magnética da América do Sul (AMAS) é uma zona onde o campo magnético terrestre aponta para baixo com intensidade muito maior que em outras regiões. Isso faz a bússola indicar valores errados se usada ali. A região cobre grande parte do Brasil — incluindo áreas de Brasília, Goiânia e Minas Gerais.

Antigamente, geólogos estimavam sua extensão apenas por dados esparsos de satélites da NASA e de campanhas terrestres. Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra com precisão inédita. O projeto usou magnetômetros embarcados em drones, aviões e estações fixas para cobrir lacunas críticas do mapa global.

Como os sensores brasileiros funcionam

O núcleo do trabalho foi uma rede de magnetômetros de alta sensibilidade desenvolvidos no Instituto de Geociências da USP. Cada instrumento mede o campo magnético total em três componentes: norte-sul, leste-oeste e vertical (up-down). A leitura vertical é justamente a que mostra a anomalia com mais clareza.

Vários sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra ao mesmo tempo para aumentar a densidade dos dados. Drones percorreram o interior do Cerrado em rotas sobrepostas, enquanto aviões realizaram voos de baixa altitude no litoral paulista e no norte do Rio Grande do Sul. O resultado foi um mosaico contínuo com resolução espacial de cerca de 10 a 50 metros.

A nova extensão descoberta

O projeto identificou uma nova extensão da Anomalia Magnética da América do Sul na faixa entre o Mato Grosso e o noroeste do Pará. Até então, os mapas globais consideravam essa área como parte de um campo mais regular, compatível com as previsões dos modelos geodinâmicos. Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra com resultados que forçam uma revisão desses modelos.

A nova extensão tem cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados — área equivalente à do Uruguai e ao Paraguai juntos. Sua profundidade aparente fica entre 40 km (manto superior) e mais de 100 km, com estruturas complexas que sugerem diferenciais na composição da crosta ou variações dinâmicas no manto.

O Anomalo é maior do que a gente achava

A descoberta principal: o Anomalo se estende além das fronteiras tradicionais. Antes, ele era definido entre o leste do Brasil e o noroeste da América do Sul. Agora, os dados mostram que uma porção significativa da extensão nova não é apenas um duto geológico isolado — ela conecta-se ao núcleo anômalo original.

O fato de Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra com precisão também tem implicações práticas. Redes elétricas, oleodutos e cabos submarinos precisam levar em conta as distorções do campo magnético para cálculos de georreferenciamento. Sistemas de navegação autônoma — drones, veículos terrestres — podem sofrer erros localizados se usarem mapas magnéticos desatualizados.

Dados concretos: quanto o campo varia?

Os magnetômetros brasileiros registraram intensidades verticais que vão de 480 nT (nanotesla, unidade do SI) em áreas normais até mais de 620 nT na ponta da anomalia. A diferença local é equivalente a colocar uma bússola sobre um ímã forte — só que o campo vem do interior da Terra.

Infográfico - Sensores brasileiros mapeiam maior anomalia magnética da Terra — e você mora em cima dela

A tabela abaixo resume os dados coletados durante as campanhas de mapeamento:

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