Moradores de São Paulo voltaram a relatar instabilidade nos serviços de Claro, Tim e Vivo entre a noite de quarta-feira (10) e a manhã desta quinta (11). A causa do problema não foi uma falha direta nas operadoras, mas sim um apagão elétrico provocado por ventos intensos, que deixaram parte da capital sem energia e comprometeram a operação das antenas.
As rajadas chegaram a 98,1 km/h, derrubaram árvores, atingiram redes de distribuição e provocaram um efeito cascata na conectividade da cidade.
O que provocou a queda do sinal?
A Enel informou que cerca de 1,4 milhão de consumidores ficaram sem energia em diferentes regiões do estado. Como muitas antenas e estações dependem de alimentação contínua, várias delas desligaram automaticamente, reduzindo a cobertura.
Com menos antenas ativas, o tráfego aumentou sobre os equipamentos restantes. Esse cenário gerou:
- Lentidão na internet
- Oscilações no 4G e no 5G
- Falhas nas ligações
- Quedas na fibra óptica
Além disso, o retorno da energia não ocorreu de forma simultânea, o que prolongou a instabilidade durante toda a manhã desta quinta.
Picos de reclamações no DownDetector
O DownDetector registrou dois períodos críticos:
- 21h27 (quarta): 185 reclamações
- 11h11 (quinta): 189 reclamações
As queixas vieram de diversos bairros, especialmente regiões que ficaram mais tempo sem energia. Alguns usuários relataram perda total de sinal, enquanto outros enfrentaram apenas lentidão.
Embora a intensidade variou entre áreas, o padrão foi o mesmo: toda a cadeia de telecomunicações foi impactada pelo apagão elétrico.
Por que o 5G sofre mais em eventos climáticos assim?
O 5G opera com uma infraestrutura mais densa e sensível. Como exige mais antenas distribuídas e equipamentos que trabalham com consumo elevado, a rede depende de estabilidade constante.
Quando ocorre uma queda de energia:
- A sincronização entre as antenas falha
- O alcance diminui
- O aparelho do usuário troca de banda com frequência
- O sistema tenta compensar automaticamente, causando travamentos
Por isso, o 5G costuma ser o primeiro serviço a apresentar falhas quando há interrupções elétricas.
Estragos pela cidade agravaram a situação
A ventania atingiu vários bairros por horas, derrubou árvores e interrompeu vias importantes. Em alguns locais, troncos e galhos caíram diretamente sobre cabos, aumentando o tempo necessário para os reparos.
Além dos danos visíveis nas ruas, o clima provocou:
- Cancelamentos de voos no Aeroporto de Congonhas
- Trânsito intenso
- Demora das equipes de manutenção
- Sobrecarga na rede elétrica durante o restabelecimento
Esses fatores ampliaram o impacto na conectividade e retardaram a normalização.
Anatel acompanha o caso de perto
A Anatel afirmou que mantém contato com as operadoras para acompanhar a evolução do problema. A agência reforçou que a instabilidade está diretamente associada à interrupção da energia, sem indícios de falhas estruturais nas empresas.
As operadoras, por sua vez, afirmaram que as equipes continuam em campo. No entanto, a restauração completa depende do avanço dos trabalhos da Enel.
Quando os serviços devem voltar ao normal?
Não há previsão exata. A normalização total do sinal ainda depende da estabilização da energia elétrica em todas as regiões afetadas. Enquanto isso:
- O 5G pode alternar entre bandas
- As ligações podem cair
- A fibra pode oscilar em horários de pico
Portanto, a situação deve seguir irregular até que todas as áreas sejam religadas de forma definitiva.
