Usuários de PCs de alto desempenho começaram 2026 preocupados. Relatos frequentes indicam que processadores Ryzen da série 9000 estão sofrendo danos irreversíveis após semanas ou meses de uso normal — principalmente quando combinados com placas-mãe AM5 de fabricantes populares. Embora as primeiras acusações tenham recaído sobre a ASRock, casos semelhantes passaram a envolver também modelos da ASUS, levantando dúvidas sobre uma possível falha estrutural no ecossistema da AMD.
Enquanto fóruns especializados se enchem de fotos de chips queimados e sistemas que pararam de ligar subitamente, especialistas em hardware analisam logs de BIOS, medições de voltagem e atualizações recentes para entender onde está o verdadeiro problema.
Crescimento das ocorrências acende sinal vermelho
Inicialmente, a maioria dos relatos envolvia placas intermediárias da ASRock. Usuários descreviam computadores desligando repentinamente, impossibilitados de reiniciar, com o processador apresentando marcas visíveis de superaquecimento. Entretanto, posteriormente, surgiram casos quase idênticos em placas ASUS — cujos projetos elétricos diferem bastante.
Esse fator mudou a narrativa: se fabricantes diferentes enfrentam o mesmo tipo de falha, então o defeito pode não estar apenas no hardware físico. Assim, cresce a suspeita de que o problema esteja no microcódigo que controla a plataforma AM5.
O papel crítico do AGESA
No centro da discussão está o AGESA, pacote de instruções fornecido pela AMD às fabricantes para implementação nas BIOS. Ele define como o processador gerencia energia, memória, limites térmicos e frequências.
Quando esse código apresenta brechas, placas-mãe distintas podem reproduzir exatamente o mesmo comportamento perigoso. Em outras palavras: o “manual” que orienta todo o sistema pode estar permitindo níveis excessivos de corrente elétrica em determinadas condições.
Especialistas observam dois parâmetros em especial:
- EDC (Electric Design Current)
- TDC (Thermal Design Current)
Se esses valores forem elevados automaticamente para garantir estabilidade da memória RAM, o processador pode operar além do que o silício suporta por longos períodos.
Perfis de memória e o gatilho invisível
Grande parte dos incidentes ocorre após o usuário ativar o perfil EXPO, tecnologia da AMD para extrair maior desempenho das memórias DDR5. Embora seja considerado seguro em teoria, ele pode levar a BIOS a aumentar tensões internas sem aviso claro.
Modelos Ryzen X3D, que utilizam cache empilhado verticalmente, parecem ainda mais sensíveis. Esse tipo de design térmico tolera menos estresse elétrico, o que torna qualquer excesso prolongado um risco sério.
Consequentemente, o chip pode se degradar aos poucos até entrar em curto-circuito definitivo — um processo silencioso e difícil de detectar antes do dano final.
Comparação com a crise anterior
Essa não é a primeira vez que algo parecido acontece. Entre 2023 e 2024, processadores Ryzen 7000X3D sofreram com tensões VSOC elevadas, também associadas a perfis automáticos de memória.
Na época, a AMD liberou atualizações limitando os valores máximos, e o número de falhas caiu drasticamente. Agora, usuários questionam se a nova geração reintroduziu vulnerabilidades parecidas ou se o AGESA atual voltou a ser permissivo demais.
Possíveis causas técnicas
| Fator analisado | Impacto potencial |
|---|---|
| Tensão VSOC elevada | Degradação progressiva do silício |
| Picos rápidos de corrente | Queima interna de trilhas |
| Perfis automáticos agressivos | Redução da vida útil |
| Cache empilhado (X3D) | Menor tolerância térmica |
Além disso, engenheiros independentes alertam para a existência das chamadas “shadow voltages” — ajustes ocultos feitos pela BIOS que não aparecem em softwares de monitoramento, mas que influenciam diretamente o comportamento elétrico do chip.
Como reduzir o risco agora
Até que fabricantes e AMD apresentem uma posição definitiva, técnicos recomendam algumas medidas preventivas:
| Ação recomendada | Motivo |
|---|---|
| Atualizar BIOS | Correções podem limitar tensões |
| Travar VSOC manualmente | Evita picos automáticos |
| Usar EXPO com cautela | Perfis podem elevar correntes |
| Monitorar temperaturas | Ajuda a detectar anomalias |
| Evitar overclock agressivo | Reduz estresse elétrico |
O valor mais citado por especialistas gira em torno de 1,20 V a 1,25 V para VSOC, especialmente em sistemas com memória acima de 6000 MHz.
Fabricantes sob pressão
Enquanto isso, cresce a pressão por respostas públicas. Comunidades técnicas pedem:
- Esclarecimento oficial da AMD sobre limites seguros.
- Atualizações rápidas de AGESA.
- Programas de substituição para CPUs afetadas.
- Maior transparência sobre parâmetros automáticos.
Porém, até agora, nenhuma explicação completa foi divulgada, e consumidores seguem dependentes de fóruns e canais independentes para se proteger.
Mercado observa atentamente
O caso surge num momento delicado: os Ryzen 9000 são peças-chave da estratégia da AMD para manter competitividade contra rivais no segmento premium. Qualquer falha prolongada pode afetar confiança da base entusiasta — justamente o público mais disposto a investir em hardware caro.
Além disso, lojas e integradores acompanham o tema com cautela, já que um aumento nos RMA (devoluções por defeito) impacta custos e reputação.
Situação segue em evolução
Enquanto novos relatos continuam surgindo, a comunidade técnica testa combinações de BIOS, placas e configurações para mapear padrões. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa por uma correção definitiva que estabilize a plataforma sem exigir ajustes manuais avançados.
Até lá, quem monta ou atualiza um PC com Ryzen de última geração precisa agir com atenção redobrada — monitorando tensões, evitando perfis agressivos e mantendo o firmware sempre atualizado.
O episódio serve como lembrete de que, mesmo em 2026, hardware de ponta exige vigilância constante — especialmente quando desempenho máximo anda lado a lado com margens elétricas cada vez mais apertadas.
